SAÚDE MENTAL E USO DE SUBSTÂNCIAS PSICOATIVAS ENTRE PESSOAS PRIVADAS DE LIBERDADE EM TRINDADE-GO
Resumo
Este estudo investigou a relação entre uso de substâncias psicoativas, consumo de psicofármacos e indicadores de sofrimento mental entre pessoas privadas de liberdade em Trindade-GO. Realizou-se um estudo de campo quali-quantitativo, exploratório e descritivo, com amostra por conveniência (n=30), subdividida em Grupo Novato (n=23) e Grupo Veterano (n=7; com histórico de acompanhamento psicológico prévio). Aplicou-se questionário sociodemográfico e clínico e registraram-se respostas abertas sobre vivências no cárcere. Os participantes apresentaram idade média de 35,5 anos (DP=8,1); a maioria encontrava-se em regime fechado (93,3%), e o tempo médio de permanência na unidade foi de 26,1 meses (DP=50,8). Observou-se baixa cobertura de prescrição e acesso regular a psicofármacos: 48,3% nunca receberam prescrição na unidade, enquanto 17,2% relataram prescrição sem acesso atual aos medicamentos. Entre veteranos, predominou o relato de prescrição sem acesso (57,1%). Relatos qualitativos indicaram que solidão, saudade, conflitos e a sensação de “vazio” estruturam o sofrimento psíquico, e que substâncias podem funcionar como alívio
temporário e/ou mediador de sociabilidade. Discute-se a interface entre lacunas de implementação da PNAISP/PNSSP, medicalização episódica e descontinuidade de cuidado, apontando implicações para a integralidade e a humanização do cuidado.